Samuel e mamãe

Mudando do Rio de Janeiro para Paris

São muitos os desafios que você enfrentará ao mudar de país, esteja certo disso desde o princípio, mas quando você  muda para um país que não fala sua língua, o desafio é ainda maior.

Recém chegados em Paris
Recém chegados em Paris

Nós nunca tínhamos ouvido falar francês na vida, não sabíamos nem falar “bonjour”, então já decididos a mudar para Paris fomos fazer um curso de francês em Botafogo, para aprender ao menos o básico, levávamos o Samuel no bebê conforto e assim tivemos algumas aulas.

A portuguesa que foi nossa maior incentivadora nessa mudança, nos apoiou para que viéssemos para Paris e ofereceu todo o suporte para a nossa chegada – comentei aqui sobre ela. Uma das nossas maiores preocupações com a mudança, era ter onde morar, pois estávamos indo para um lugar completamente novo e com um bebê de apenas 3 meses de vida, ao que ela nos garantiu que conseguiria um estúdio, no mesmo prédio em que ela trabalhava, logo não precisávamos nos preocupar com moradia, bastava que trouxéssemos uma quantia de dinheiro considerável para poder ficar dois ou três meses tranquilos, caso eu demorasse para achar trabalho. Só para constar: o combinado era um estúdio que um árabe queria alugar no prédio que ela trabalhava, não nos seria exigido comprovação de renda, bastava que pagássemos o aluguel.

Com Samuel no quartinho da casa da portuguesa
Com Samuel no quartinho da casa da portuguesa
Com a questão da moradia resolvida, ficamos tranquilos, pois quando estávamos pesquisando, percebemos que em Paris é dificílimo achar aluguel/ alugar alguma coisa, ainda mais na situação que chegaríamos na cidade: sem trabalhar, sem ter nenhum comprovante e sem ter garantias para apresentar.

Para vocês terem uma ideia, para alugar um imóvel em Paris, a renda a ser apresentada deve ser 3x o valor do aluguel em salário – em folha/ contracheque – e eu nem emprego tinha, mas como a portuguesa nos disse que isso ela já tinha garantido para nós, ainda no Rio de Janeiro, vendi meu carro e vim com um dinheirinho que havia guardado para nos mantermos inicialmente, afinal de contas, com um bebê de 3 meses, não ia cometer mais loucura do que falavam que eu já estava cometendo.

Nos chegamos em Paris, no mês de maio e a portuguesa havia me dito que no mês de julho eu trabalharia no lugar dela, cobrindo férias – no prédio em que ela era gardienne, uma espécie de zeladora – e quando você trabalha no lugar de alguém na França, você recebe um salário e meio. Na época, ela ganhava 1.400,00, então eu ganharia em julho 2.100,00, ou seja, pensei: estou tranquilo, vou chegar já com apartamento, tenho um dinheirinho para ir pagando os aluguéis e chegando em julho vou ganhar 2.100, 00, vou poder estudar tranquilamente até julho, me ambientar, eu e minha família, fazer tudo que precisa de documentação, com calma, fazer curso, procurar um emprego e ver se vamos ficar mesmo nesse apartamento que ela arranjou ou não, tudo tranquilamente.

A expectativa era maravilhosa, mas a realidade que nos aguardava quando chegamos a Paris era completamente diferente.

Quando nós chegamos não tinha nada disso, não tinha estúdio, não tinha apartamento e nós tivemos que ir pra um quartinho na casa dela. Se não bastava não ter onde morar direito com um bebê, no mês de julho ela falou que eu não poderia substituir ela no trabalho, então tudo que eu contava e tudo que havia planejado, nada eu tinha, sendo que nunca pedi nada, ela que se dispôs e disse que teria tudo isso. De qualquer forma, nós agradecemos, seria ótimo se tudo tivesse saído como combinado, afinal nós nos programamos dessa forma e do nada estávamos sem chão. Pelo menos ela abrigou a gente na casa dela – não de graça, no final do mês ela cobrou 400,00 de aluguel pelo quartinho – sendo que o estúdio que ela nos prometeu custaria 600,00. A partir desse momento que ela me falou que não poderia trabalhar no lugar dela, ela foi passar o mês de julho em Portugal, então tivemos uma certa tranquilidade na casa dela e eu pude correr atrás de trabalho.

Catedral de Notre-Dame de Paris com a família
Catedral de Notre-Dame de Paris com a família
Em agosto de 2012, a portuguesa voltou de férias e eu havia conseguido arrumar um trabalho no escritório de um receptivo em Paris, nós a agradecemos por tudo – pagamos mais um aluguel – e nos mudamos, conseguimos um estúdio para ficarmos por 550.00, que era da dona do trabalho que arranjei.

Depois dessa aventura logo nos primeiros meses vivendo em Paris, percebemos que não podíamos contar com a portuguesa, mas claro que fomos gratos à ela pela ajuda – bem ou mal ela nos ajudou, não foi da forma combinada, mas ajudou – passamos por maus bocados até que consegui meu primeiro emprego.

Com a mudança para um lugar só nosso, as coisas começaram a entrar nos eixos.

Notredame com Samuel

-> Continua na próxima semana.

Enquanto a próxima parte da história não chega, vocês podem acompanhar meu dia a dia pelo instagram @dicas_de_paris ou se estiverem vindo para Paris e quiserem fazer um orçamento, não hesite em me contatar pelo Whatsapp: +33 6 20 88 50 22​⁠​

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