Família Monsanto

Rio de Janeiro: agora somos 3

De volta ao Brasil, de volta à realidade.

Depois de ter vivido no país mais seguro da Europa, voltamos para o “Hell de Janeiro“. A cidade estava caótica, violenta e precisavámos voltar a vida normal. Havíamos morado em um local que não tinha essa preocupação com segurança, voltar a esse caos foi o nosso primeiro choque de realidade.

Voltei ao trabalho como dentista, de segunda a sábado de 8 da manhã, às vezes até 8 da noite, sem horário até mesmo para almoçar direito. Comecei a reviver aquela rotina de trabalhar, trabalhar, trabalhar então decidi – junto com um amigo de faculdade, o Cadu – montar uma clínica odontológica na entrada da Rocinha – a maior favela da América latina na época – e fomos encarar isso aí, esse era nosso novo desafio.

Com a nossa volta ao país, não tínhamos ainda ao certo onde morar, então ficamos na casa da minha avó materna, enquanto aguardavámos ansiosos a chegada dos nossos móveis, sempre naquela expectativa de saber se realmente iriam chegar ou não. Estávamos preocupados não só com a mudança, mas também tínhamos a preocupação de onde iríamos morar depois, então o meu pai nos emprestou um apartamento, herdado do meu tio. Passados 2 meses e meio os móveis chegaram, tudo certinho e mudamos para o apartamento.

A vida começava a entrar nos eixos.

A clínica de odontologia ia muito bem, afinal não tinha muitas clínicas dentro das favelas, porque o pessoal tinha medo do tráfico, com o tempo e a pacificação da Rocinha, começaram a surgir várias outras clínicas na favela, nesse mesmo período a Dany ficou grávida e eu acabei ficando desestimulado profissionalmente, pois o número de atendimentos começou a diminuir e a violência aumentou drásticamente na comunidade, agora eram duas facções criminosas e a polícia em guerra.

Grávidos do Samuel

Com a notícia da gravidez da Dany, começamos a pensar que não queríamos criar nosso filho ali, nessa neurose, nessa loucura e em meio a tanta violência e incertezas. Nos sentíamos como peixes fora d’Água depois de ter morado um ano em Portugal e mesmo este sendo o nosso país, já não nos sentíamos mais “em casa”.

Começamos a pesquisar outros países para nos mudarmos, pensamos em ir para o Canadá ou para a Austrália. Na época conversei com um amigo que morava no Canadá – e mora até hoje inclusive – e ele super apoiou a ideia de irmos para lá, se prontificou a nos ajudar no que precisássemos. Entretanto, o processo de visto para o Canadá ou para Austrália pode durar até dois anos e nós não queríamos isso, nos sentíamos como prisioneiros no Brasil, queríamos sair logo do país e só para a Europa que podíamos comprar as passagens e simplesmente vir, tendo em vista que tínhamos dupla cidadania – brasileira e portuguesa.

Pensamos então em mudarmos para um país com muitas oportunidades na área do turismo, porque como havíamos feito alguns tours gratuitos com o Sandemans por toda Europa – no nosso mochilão – achamos que daria para fazer isso em Paris. Levamos em conta que era/ é o destino número um dos brasileiro na Europa e a cidade mais visitada da Europa. Entramos em contato por Skype com a senhora que morava em Paris e que havia nos recebido em um apartamento na nossa primeira visita à Cidade Luz – contamos essa aventura aqui – e ela super nos apoiou, se prontificou a nos ajudar.

Dany e Samuel

Com nosso novo destino escolhido, nos restava agora aguardar a chegada do nosso primeiro filho, Samuel.

A partir daqui vocês podem imaginar a ansiedade e a expectativa que começamos a viver em torno do nascimento dele, pois o nosso plano era que com o nascimento e as vacinas em dia, a pediatra o liberasse para viajar. Então nós começamos a planejar os detalhes para a nossa nova mudança, era questão de tempo o momento de voltar para a Europa, mas dessa vez com um destino diferente e um pouquinho mais longe do Brasil: Paris.

Dia 13 de fevereiro de 2012 nascia o nosso pequeno herdeiro.

Como planejado, ele foi liberado pela pediatra aos três meses de vida para viajar de avião.

Aqui estava Samuel em seu primeiro voo:

 Estávamos indo rumo a Paris, que viria a se tornar o nosso novo lar e onde nossa vida começaria novamente.

Continua no próximo post.

8 comentários sobre “Rio de Janeiro: agora somos 3

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