Dany e Daniel - Paris

Primeira vez em Paris

Paris 2010

Quando planejamos nossa primeira viagem de férias – internacional – a Paris, nunca poderíamos imaginar o que nos esperava, tampouco como a vida levaria essa cidade, que poderia ter sido apenas mais uma dos muitos lugares que conhecemos, a se tornar nosso lar.

Dany e Daniel

Já dizia o Provérbio Português: recordar é viver.

Em 2010 morávamos em Braga, Portugal, e tínhamos uma Tabacaria na cidade. Era ano de Copa do Mundo e os fãs de futebol sempre procuram formas de se entreterem ou se atualizarem sobre tudo que acontece nesse evento, como por exemplo, saber quem são os jogadores de cada seleção, escolher seus favoritos e torcer. Os álbuns de figurinhas com os rostos dos jogadores que participarão da copa também fazem parte da festa, e adultos e crianças, na maioria das vezes, fazem questão de colecionar e completar seus álbuns.

Lá em Portugal figurinha se chama cromo, igual quando eles dizem que a pessoa é um cromo, uma figura. Como eles não faziam troca de figurinh as, resolvi fazer da minha Tabacaria um ponto de trocas, a contragosto da Dany, que ficava irritadíssima porque eu não ganhava nada com isso, uma mãe ou outra comprava os pacotinhos lá, mas o estresse não compensava. Mesmo assim encarei o desafio por adorar futebol e também por me colocar no lugar dos meninos, sempre adorei crianças.

Nesse período, ajudei uma portuguesa a completar o álbum do filho dela. Conversando, ela comentou que morava em Paris há 8 anos e trabalhava como gardienne, uma espécie de zeladora de prédio. Estávamos planejando passar o ano novo em Paris, juntamente com minha mãe e minha avó, que estavam nos visitando no período. Prontamente fomos convidados a ficar na casa dessa senhora, caso confirmássemos a viagem.

Viagem confirmada, mandei e-mail ou mensagem pelo Orkut, não lembro ao certo, confirmando nossa ida. Ela nos respondeu já se oferecendo para nos buscar no aeroporto e insistiu que não nos preocupássemos com a hospedagem, perguntei se ela tinha certeza, afinal era ano novo, e hospedagem nessa época é sempre muito disputada, ao que ela respondeu: deixa comigo.

Vó, mãe e Daniel
Com minha vó e minha mãe na estação de metrô Concorde
Pedindo esmola na estação de metrô

Chegamos a Paris e ela foi nos buscar no aeroporto, como éramos quatro pessoas, fomos de táxi e ela foi de trem, chegamos ao endereço e logo em seguida ela também chegou. Já na casa, ela disse: aqui é minha casa, mas vocês não vão ficar aqui. Surpresos, ela nos pediu que a acompanhássemos até o 7º andar do prédio, ficamos sem entender o que estava acontecendo.

Pouco antes de sairmos do elevador, ela nos alertou que não fizéssemos barulho e fez o som de shiii. Desconfiados do que viria pela frente, olhei para minha avó e quando dei por mim estávamos todos nos entreolhando, sendo interrompidos por ela dizendo: entra, entra no apartamento.

Foi então que ela explicou que ficaríamos nesse apartamento – a casa toda luxuosa, toda decorada – minha avó ficou com os olhos arregalados e quando a senhora foi embora, minha avó juntando os pontos concluiu que era a casa de algum morador, que não deveria saber que essa senhora estava colocando gente lá, e ficou desesperada.

Daniel e Dany - Louvre
Museu do Louvre

Ficamos com muito receio do que poderia acontecer, como o proprietário chegar a qualquer momento, algum parente do dono da casa ou qualquer outra coisa. Nós ali, no apartamento de alguém, de graça e sem a pessoa saber que estávamos lá, nunca poderíamos imaginar passar por isso. Pesquisamos hotéis, mas não haviam quartos!!!

Certamente a senhora que nos colocou nesse apartamento, sabia que os donos estariam fora nesse período, então, como era ela que arrumava os apartamentos, conhecia a rotina dos moradores e tinha as chaves, sabia que ninguém chegaria. Mas deveria ter nos avisado.

Minha avó ficou desesperada, tendo em conta a situação que nos encontrávamos e eu tentando descontrair, em uma das noites preguei uma peça na minha avó – estávamos Dany e eu em um quarto e minha avó e minha mãe em outro –  por volta de meia noite e meia, fiz um barulho na porta e minha avó deu um pulo, entrei falando que teríamos que fugir porque a dona do apartamento havia chegado. Ela levou um baita susto, mas acabamos rindo muito da nossa situação rs.

Nossa primeira vez na Cidade Luz foi com emoção. Hoje damos boas risadas e guardarmos as melhores lembranças dessa primeira visita.

Vó, Daniel e Dany
Vó, Daniel e Dany

Em meio à tensão da hospedagem inusitada, ficamos 5 dias em Paris e nos apaixonamos à primeira vista pela cidade. Comentei com a Dany – como já contei nesse post aqui – que seria maneiro morar um dia num lugar desses, mas nunca poderia imaginar que em maio 2012, estaríamos vindo para cá com nosso primeiro filho, Samuel.

14 comentários sobre “Primeira vez em Paris

  1. Daniel, você é uma figura !
    Com certeza ,abençoado por Deus.
    Continue correndo atrás dos seus sonhos.Seja sempre simpático e honesto com seus sentimentos.
    Respeite sempre aqueles que conquista com sua alegria.
    Paz,Alegria e muita Luz !!

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  2. Pqp! Eu ri aqui… Mas se fosse comigo teria ficado como a vovó. Que portuguesa doida, gente!!!! Hahaha
    Doida de pedra… imagino ser á mesma que posteriormente ofereceu o studio para vcs se mudarem. Incrível…
    Adorei o blog! Acho que li tudo… Tb penso em morar fora por um tempo. Sou servidor público e posso pegar licença de até 8 anos. O que me impede é justamente a questão: vovó. Sou completamente apaixonado pela minha velhinha (fui criado por ela) e não tenho coragem de ficar tão longe.
    Já estive em Paris 2x. Adoro a cidade (como se já tivesse morado nela) e quero voltar muitas vezes.
    Olha só… Não se pode julgar o livro pela capa, nem o cara pela franja caindo no olho… hahaha… achava que vc era tipo um bon vivant que resolvera morar na Cidade Luz e tal… e que tinha o trabalho como guia meio que para passar o tempo: pode isso Arnaldo? Rsrs…
    Enfim, achei a história de vcs muito bacana. Já acompanho no insta e agora espero ler mais textos interessantes aqui tb.

    Abraço!

    Feliz Ano Novo pra vcs!!!

    Rener / Goiânia / Goiás / Brasillllll Varonil!!! Rs

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    1. Kkkkkk… Boa Rener. Q legal. E gostei da sua sinceridade. Já falei no insta, mas um dia contarei por aqui tb. Tudo que conquistei foi com muito suor e trabalho. Fiz universidade pública pq meus pais nao tinham condicoes de pagar uma particular, meu primeiro carro comprei com 24 anos, uma fiat uno usada, “pelada”. Rs. 15.500,00 reais parcelada em 36 meses. Fui tirar meu passaporte com 26 anos. E o legal da vida pelo menos p mim, é olhar para o passado e valorizar o q conquistamos. E tb surpreender quem de cara pensa q sou um playboy, filho de papai. Rs. Vc nao foi o único e nao será o último, rs. Infelizmente julgamos muito o livro pela capa, comp vc bem disse. Mas isso tb é o belo da vida. 😉 abracao e obrigado por seguir.

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    2. Oh amigo. Achei q havia respondido por aqui. Rs. A vida e as pessoas sempre nos surpreendem. Como falei c vc pelo insta, o pre conceito existe e somos seres humanos, nao é só com o negro, o gay ou qualquer outro estigma. Já sofri tb mto preconceito e até hj sofro, por acharem q sou playboy, rs, ou vir de família rica, mas cabe a mim mostrar como sou. E tb se fosse playboy ou de família rica, caberia a mim tb fazer algo diferente e surpreender. Mas isto sao discussoes filosóficas sobre o ser humano e a humanidade. Rs. Abracao e bom fds amigo.

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